O Garoto Enxaqueca

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Segunda-feira, Setembro 29, 2003

Solta a voz, meu povo! - Essa é apoteótica! Todo mundo cantando comigo, vai lá:

Artista: Yahoo
Música: Mordida de Amor

Quando faz amor
Se olha no espelho
Será que você
Gosta mesmo de mim?
Vai me dizer
Que é pra sempre
Isso é amor
Ou uma doce mentira ?
UUU, Baby
Mas quando está só
Se morde de amor
Rolando na cama
Chama o meu nome
Eu não quero tocar em você
Óh, Baby
E fazer seu jogo
Vai me deixar louco
Sei que
você pensa
O amor é do seu jeito
Coração quebrado e
Orgulho inteiro

Amar assim

Jamais dizer adeus
Já não é mais
A grande surpresa
Viver assim
a se morder de amor
Eu não quero
tocar em você
Óh, Baby
E fazer seu jogo
Vai me deixar louco
Sei que
você pensa
O amor é do seu jeito
Coração quebrado e
Orgulho inteiro
Amar assim
Jamais dizer adeus
Já não é mais
A grande surpresa
Viver assim
a se morder de amor



PABLO ALCANTARA 9/29/2003 10:06:06 AM

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Sábado, Setembro 27, 2003

Alguém aí conhecce o Leônidas? - Leônidas é um mensageiro. E através de suas mãos cada carta voava do céu de volta ao remetente. Voava sem chão e sem asas também, era um pensamento que levava. Daí era só dar um toque no ombro do remetente e causar calafrio. Quando voltava quem enviava esquecia de dizer o mais importante, deixava de dizer porque não havia nada pra dizer, era o que pensava. Leônidas fazia mesmo era calar a boca pro que não queriam dizer. Leônidas era um mensageiro do silêncio, de um som que ninguém ouve nem vê, nem abraça. Ofício ingrato o de Leônidas, porque senão ia ter muita gente feliz por aí.



PABLO ALCANTARA 9/27/2003 11:21:30 AM

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Sexta-feira, Setembro 26, 2003

Tchupeia* aí amiguinho! - Quero ver todo mundo cantando! Agora, saquem só como a metrica do negocio ficou um negocio hilário e ridiculo, porque acho que na tradução da letra as frases ficaram imensas e ninguém quis cortar, e então no final das estrofes falta fôlego até pro Charlie.
Vamo lá, sem se reprimir:

Menudo

Canta, dança sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive como eu
Pula, grita, oh oh oh

Não segure muito teus instintos
Porque isto não é natural.
Saiba o sangue fala ao contrário, muito forte, quando quer evitar
Um grito forte quando quero gritar
É saudável, relaxante
Recupera e faz bem a cabeça

Por isso canta, dança, grita oh oh oh ...

Vai a frente, entra numa boa,
Porque a vida é uma festa.
Não controle, não domine,
Não modere, tudo isso faz muito mal.
Deixe que a mente se relaxe.
Faça o que mandar o coração.

Por isso canta, dança, grita oh oh oh ...

Não se reprima, Não se reprima, Não se reprima.
Não se reprima, Não se reprima, pode gritar.
Não se reprima, Não se reprima, Não se reprima.
Dança, canta, sobe, desce, vive, corre, pula como eu.

Canta, dança sem parar
Sobe, desce, vamos descer
Sonha, vive como eu
Pula, grita, oh oh oh

Chega de fugir, de se esconder
E de deixar a vida pra depois.
Não pense demais, o mundo gira
O tempo corre, nada vai te esperar
Entre de cabeça nos teus sonhos,
Só assim você vai ser feliz.

Por isso canta, dança, grita oh oh oh ...

Não se reprima, Não se reprima, Não se reprima.
Não se reprima, Não se reprima, pode gritar.
Não se reprima, Não se reprima, Não se reprima.
Não se reprima, Não se reprima, Não se reprima.
Não se reprima, Não se reprima, pode gritar.

*Tchupeia - Palavra designa cosia boa, coisa supimpa, coisa antológica. Pode ser usada também quando alguém que "comeu bão", se alimenou de algo realmente bom (Lenita's Dicionary). A palavra adquiriu um novo significado no dicionario pablianesco, como "pra riba!", "avante", "sai desse baixo astral", ou ainda, "toma tenência na vida meu fí!".

PABLO ALCANTARA 9/26/2003 05:15:12 PM

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Quinta-feira, Setembro 25, 2003

Lesminhas - Duas lesminhas de banheiro resolveram abrir um hotel. Lá se hospedariam apenas o jet set do ralo. Em local privilegiado, o hotel ficava bem onde os cabelos que caem das pessoas na hora do banho se depositam. Ali, longe da curiosidade dos banhistas, as lesminhas podem repousar à vontade de seus dias de seres inúteis, escondidos entre cabelos. Os dias e as lesmas. Uma das lesminhas pegava os louros do novo empreendimento e depositava na bolsa de futuros e ações. Ela planejava comprar no futuro uma passagem pra outro banheiro, onde tivesse mais espaço e uma ducha quente e um ralo localizado em um desnível condizente. Um de seus hóspedes, um diplomata lesmo, havia contado maravilhas de quando morou no cano de um bidê. Torneirinhas de bidê em detalhes dourados era o sonho da lesma. Um dia a lesma viu uma promoção na internet de uma viagem para os trilhos de um box de banheiro lá em Kilimanjaro. Ela tirou o dinheiro do futuro e resolveu apostar no presente. Mas antes que pudesse realizar o sonho, foi pisoteada por uma sandália Hawaianas. Sua últimas palavras foram remanescências de uma música que ouviu: "the answer my friend, is blowing in the wind...". E a lesminha morreu.
PABLO ALCANTARA 9/25/2003 04:49:02 PM

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Segunda-feira, Setembro 22, 2003

Garfield ou Pablield ou ainda Pablield saboreia um Dan Up ao final da tarde (belíssimo por do sol!!)- Segunda-feira, 22 de setembro de 2003, quando a imagem justifica o título do post:


na verdade, nessa entrada da primavera, não existe por do sol como do cerrado.
PABLO ALCANTARA 9/22/2003 08:22:09 PM

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Flertando - De alguma maneira vou de novo flertando (a paixão vem e vai, pára e volta) com o jornalismo. Meio desanimado com a profissão como todo mundo fica um dia, li entre outras coisas relacionadas a jornalismo e literatura (no fundo, eu tô nessa é pela palavra mesmo) uma frase de um professor do assunto muito legal. Ás vezes, como hoje, penso que minha paixão pelo jornalismo tá mais no campo teórico do prático (é claro, um vem com o outro). Será que isso existe?
bom, tá lá a frase: "o que se costuma chamar de estilo do jornal tal qual é um aglomerado de determinados lugares-comuns que,sem dúvida alguma, facilitam o trabalho do profissional comum, isto é, daquele que exerce por acaso o jornalismo, que nele está porque um acontecimento fortuito o levou a essa profissão, como poderia ser profissional de outra especialidade, se as circustância tivessem sido diferentes. O jornalista, que tem vocação
do jornal, é um escritor, no sentido exato da palavra." - Antônio Olinto - (de um ensaio escrito, originalmente,
em 1952 e publicado em vinte artigos. O texto foi editado em 1968 e publicado no livro Jornalismo e Literatura. Tudo que eu sei é que é o fato do autor ter sido professor no curso de jornalismo da UFRJ).

PABLO ALCANTARA 9/22/2003 04:23:40 PM

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Quarta-feira, Setembro 17, 2003

Eu, grávido e apaixonado - Estou grávido. É sério. Quer dizer, é como se estivesse. Ainda não sei se é menino ou menina. Isso me agoniza um pouco. No princípio, quando soube que tava grávido, não foi agonia, nem euforia. Foi os dois ao mesmo tempo. Não foi tristeza, nem alegria. Não é um sentimento de vazio, mas também ainda não transbordei. Bom, na gravidez é como se tivesse na estática da beira do precipício. Tanto se pode cair, quanto voltar pra trás. Muitas mulheres se chocam ante tais sensações, que não condizem com a felicidade de estar esperando um filho. Agora entendo porque nas grávidas qualquer coisa pode levar às lágrimas, sem compreensão aparente. Gravidez é tão bom que passa do ponto feito uva passa, mas ainda dá pra se alimentar dela. Pesquisei que estes sintomas têm a ver com o estado regressivo que nós gestantes estamos. É como se fossemos levados até a nossa primeira expressão e que será a primeira do nosso pequenino: o choro. E olha, poxa, meus amigos, vocês também já devem ter passado por isso. Confessem! Acho que o que cito nessas linhas é uma forma de rito de passagem entre nós homens. E que por vergonha insistimos em esconder. Se meu pai, entre ensinar a pescar, segurar o choro e me levar ao estádio de futebol não me contou sobre isso, penso que talvez seja uma verdade extremamente solitária. O que me faz um delator de primeira categoria. Ou então, na ótica machista, sou um fresco. Eu não devo ser o único. Mas voltando aos meus sintomas de gravidez, explico esta inconsistência de ânimo que me aflige apenas de um jeito. Parece que é como se nós gestantes precisássemos, através das lágrimas, elaborar a perda do próprio lugar de filho (a) para assumir o novo papel de futura mãe (pai). Uma necessidade inconsciente de deprimir-se, para permitir que o filho adquira forças para ocupar seu próprio lugar. Parece hilário, mas não é. As reações do ambiente nem sempre são as esperadas por nós gestantes, decepcionando-nos sobre tudo. Pode rir, mas é verdade. Poxa, me sinto assim, grávido. Na minha barriga levo as esquinas que passei, os livros que li e não li ou parei no meio, até esses. Levo um ou dois cds de preferência, mas também um monte de música que não escrevi. Tudo prontinho pra nascer. Estou grávido e meu bebê, que ainda não tem cara, e ainda não tem data pra nascer, se alimenta de mim, um homem imensamente apaixonado.




PABLO ALCANTARA 9/17/2003 05:10:15 PM

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Segunda-feira, Setembro 15, 2003

Notícia cinematográfica -

Depp fala sobre a Fantástica fábrica de chocolate
15/9/2003

Johnny Depp, astro que está atualmente em duas produções que figuram no Top 5 das bilheterias norte-americanas (Piratas do Caribe e Era uma vez no México), conversou com a Entertainment Weekly sobre a refilmagem de A fantástica fábrica de chocolate (Willy Wonka & the Chocolate Factory, de Mel Stuart, 1971), filme que será dirigido por Tim Burton.

Segundo Depp, o contrato ainda não foi fechado, mas ele acredita que o papel pode ser um grande desafio. "Não há como escapar da lembrança da interpretação de Gene Wilder como Willy Wonka", admitiu. "Era realmente incrível assistir ao filme quando eu era pequeno e vê-lo hoje, com meus filhos, continua ótimo. Então, a dúvida é: como interpretá-lo? Gene Wilder fez um trabalho maravilhoso e é hora de levá-lo a um novo patamar", revelou o astro.

Depp duvida que Burton vai colocar números musicais, como no filme original. Entretanto, não é contra a idéia.



PABLO ALCANTARA 9/15/2003 09:37:13 PM

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Canção tortura - Enxaqueca pergunta:
Vocês conhecem uma música chamada Dominique?
Algo que tem um refrão como "dominique, nique, nique...."?
Pelo amor de Deus? Todos vocês conhecem isso?
Porque depois de 26 anos descobri que nunca tinha ouvido essa melodia. É como se em todas as ocasiões, durante toda a minyha vida, em que essa musica tivesse sido tocada, eu por algum motivo não pudesse ouvir. Ou saí da sala, ou mudei de canal, ou fui ao banheiro. Mas nos últimos dias tenho sido importunado por pessoas do meu ambiente de trabalho que cantam essa musica em coro coletivo, como se ela fosse uma espécie de ciranda cirandinha. Jurei que vou descobrir tudo sobre essa melodia. Autor, versões, filmes.
Mas antes de tudo, vocês conhecem essa tal de Dominique?

PABLO ALCANTARA 9/15/2003 02:27:36 PM

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Quinta-feira, Setembro 11, 2003

O pequeno dragão vermelho - Chamas, chamas por todos os lados. A água esfria? Não, não adianta. Fogo, fogo, tudo queima, tudo queima. Da boca sai um ranço, dos ouvidos fumaça. E os pés correm desesperados, correm pra todos os lados, fogo, fogo! Ligou pra mãe, a mãe não tava. Deitou no chão, perdeu a compostura e rolou pateticamente, e tentou soltar um arroto. Soltou, do arroto saiu um dragão, um tipo de lagarto. A cena era asquerosa, digna de vomito, só não vomitou porque isso já fazia, vomitava o dragão. O bicho saiu voando logo de cara, não teve nem a fineza de pedir colo pra mamãe, que era o que sentia ser. Ele era vermelho e verde. Mais vermelho do que verde. O fogo amansou, e o incômodo era apenas nojo. Dali no chão dava pra ver o dragãozinho se debatendo na janela feito uma bruxa que quer sair pra fora. De repente, pensou que não seria justo, tinha que mostrar o bicho pelo menos pros amigos. Quem sabe, cria-lo em cativeiro. Pulou, mas o bicho voava mais alto. O bicho era feio, tinha pança. Mas mesmo assim, queria ficar com ele. Subiu numa cadeira, acuou o dragão num canto e falou com a boca entreaberta: "e agora José?". O bicho disse; "ah não, Drummond não, Drummond não. Prefiro Bandeira!".
PABLO ALCANTARA 9/11/2003 02:23:41 PM

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Quarta-feira, Setembro 10, 2003

O carteiro e a florista - É como nenhum outro. E cresce, cresce todo dia. Nem sei onde vai parar. Alguns decretam: "no altar". Ele é carteiro, ela é florista. Ela não manda carta pra ele porque ele vive entregando cartas o dia todo. Ele não manda flores pra ela porque ela vive rodeada de flores o dia todo. Dia desses um senhor esqueceu um guarda-chuva na loja de flores. Um senhor educado, que dizia comprar flores pra sua senhora. Depois de velhos, ela resolveu mudar de cidade, acompanhar um filho que teve um filho e que morava longe. "Mas porque o senhor não foi também?", a florista perguntou. "Porque eu não quis", respondeu o velho como criança responde. "Agora ela me manda cartas, e ela me manda nas cartas, fotos do meu neto que eu coloco ao lado de flores num altar lá em casa", explicou o senhor. A vontade da florista de enviar uma carta pro carteiro era imensa, e ela enviou, protegida da chuva pelo guarda-chuvas do senhor, e num papel sem linhas escreveu no destinatário: "me leve a um altar".
PABLO ALCANTARA 9/10/2003 02:55:15 PM

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Terça-feira, Setembro 09, 2003

"Metiolate" - Olha ali o menino pulando pra cima do muro. Ele e os outros brincavam de amarelinha na calçada do vizinho. O menino resolveu pular pra cima do muro. A nova brincadeira era andar em linha reta seguindo a trilha do muro, uma fina parede de cimento. Ele foi o primeiro e o último. Que queda, "que tombo", gritaram e riram. E o menino sentia aquela dor que pros meninos doe demais, e que as meninas nunca sentirão, pelo menos no mesmo lugar. Os outros meninos riram e disseram: "rá-rá, eu vi duas bolinhas de gude descendo a calçada!". Cruéis, cruéis. Mas cruel mesmo foi a mãe do menino do muro quando disse: "passa aqui, e deixa eu passar um 'metiolate' nesse trem".


PABLO ALCANTARA 9/9/2003 06:47:30 PM

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Sumiço do enxaqueca - Desde sexta-feira fiquei sem internet. Além do trabalho no jornalismo não pagar um salário decente pra que eu compre um PC, a empresa também fica sem pagar o provedor. Consequência: fiquei sem internet. Mas agora voltou. A interrupção não foi por preguiça não. Tô de volta, tô de volta.
PABLO ALCANTARA 9/9/2003 06:44:45 PM

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Quarta-feira, Setembro 03, 2003

Linha do horizonte todo dia tem - Se eu furar o chão chego lá onde caças israelenses atacam posições antiaéreas do Hizbollah, nas proximidades de um vilarejo do sul do Líbano. É hilário como viver nesse planeta pode ser a coisa mais pacífica do mundo ou a mais brutal forma de violência. Aqui do lado um caipira qualquer sai pra fora de roupa surrada da casa surrada pra ver o pôr-do-sol e fazer boca de pito. No outro dia ele briga no bar do vilarejo porque perdeu na aposta do jogo de sinuca. Resta uma barriga furada de bucho pra fora e morte violenta. Lá de onde a terra e vermes me separam, um rabino vai a sinagoga e reza por paz, que só é válida na sua língua, pela sua religião, da sua maneira. Na mesma tarde é morto quando voltava pra casa dentro do ônibus que explodiu porque um homem xiita qualquer carregava no bucho uma bomba e, a golpes de estupidez justificada, roubou a vida de outros. É sempre matar ou morrer, ganhar ou perder. E todos morrem e se matam, e todos perdem e ninguém ganha. Daqui de onde vermes e terra roxa me separam do outro lado do mundo, do lado de cá na casa da poesia, meus pés levitam ao comando de palavras. Mas a preocupação com quem me faz chorar de tanto rir, essa continua. Por isso, queria levitar, mas levar no meu balão azul só quem me revela constância.


Bom, então é hora de poesia, que renova a linha do horizonte, o mesmo que a mão dela aponta pra mostrar que é bonito. E é.


Árias Pequenas. Para Bandolim
de Hilda Hilst

Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.


PABLO ALCANTARA 9/3/2003 03:47:25 PM

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Segunda-feira, Setembro 01, 2003

Os anjos no brilho dos olhos dela - Aqui por perto anjos deixaram uma trilha. Esse é só um dia de chateação, ela disse. Todos se parecem os mesmos, e toda vez que abrimos a janela pulam do parapeito os erros, os acertos que são a culpa de um deus crucificado. Daqui eu não vejo nada além do mundo todo na palma das nossas mãos, mesmo de olhos fechados, cortina fechada, porta fechada. Na minha bolha azul passeio por aí, onde os anjos também deixaram uma trilha. Acho que diziam: "o dia que pararem de sofrer, e de fazerem sofrer, vão tirar o homem da cruz". E ainda pedem ajuda ao homem crucificado. Coitado. Pelo menos o tirem de lá. Olha, o oceano dentro do meu quarto é tão azul quanto em uma praia na Austrália. E lá também os anjos deixaram pegadas, e lá também existe o homem crucificado. Vamos tira-lo da cruz, dês-crucificação, retirar nossos pregos culposos e liberta-lo de um castigo sem dono. Nossa rotina, nosso café com pão de todos os dias e todos os nossos pequenos milagres grandiosos deixam a nossa eternidade melhor, menos penosa. E os anjos me fazem sorrir tentando provar a diferença entre a lua e o brilho dos seus olhos. Eles desistem. Eles se entregam a perfeição do círculo, os anjos desconhecem as encruzilhadas. Os olhos dela me mostram o caminho. Como um círculo, os anjos reconhecem o brilho de seus olhos no brilho dos olhos dela.
PABLO ALCANTARA 9/1/2003 08:40:52 PM

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Rubem Braga, Beatles, Johnny cash e nossa vida - "E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história..."." - Rubem Braga
Toda vez é assim, quando resolvo escrever uma música é porque fui tocado no meio de um dia qualquer pelo sopro de uma inspiração. Hoje, eu queria chegar em casa e escrever uma música que quando todos ouvissem diriam: "essa música foi feita pra mim". Falaria da vida, da infância, do amor ou da morte, a morte que não conheço, mas a morte de quem nós amamos e que nos mata aos pouquinhos quando se vai. Mas como já escrevi aqui dia desses, repito, eles não deixam a morte, deixam a memória, como um presente de vida. Mas eu não só queria escrever uma música sobre a vida, queria escrever sobre um amor maior, um vasto amor. Daí, comecei a quebrar a cabeça sobre uma canção que já teria falado disso. E não é que sobre o meu conhecimento musical que não é nem grande nem pequeno - é meu, é memória - cheguei aos Beatles. Sempre eles. In my life, fala sobre a vida, sobre a memória, sobre um amor maior. Taí, essa música não é minha, ouvi na rua, de um assovio de um desconhecido e que por acaso começava assim:

There are places I'll remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more


(In my life)
Sugiro que escutem essa canção na voz do Johnny Cash. O velho cantor americano que mesmo sofrendo de Mal de Alsheimer
não se esqueceu de como se canta com a voz mais grave que sua alma pode cantar. Perfeito.

PABLO ALCANTARA 9/1/2003 07:54:22 PM


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