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Segunda-feira, Março 31, 2003
Figurinhas Ploc Copa de 86 - Eu adoro futebol. Sou flamengo. Não dá pra imaginar eu viver em um mundo sem acompanhar meu time. Quando eu era pequeno, mesmo querendo ir tocar guitarra na tv, eu também era "quinem" os garotos da escola, só a fim de jogar bola. E acredite, eu conseguia. Lembro de um dia em que eu tava jogando bola na rua, e minha mãe veio me chamar. Os moleques aclamaram: "aí não, o Pablo vai embora, agora fica dificil, deixa ele ficar tia?!". É sério. Se não fosse sério, nem teria guardado essa história, e essas palavras nas gavetas da memória. É claro, o apelo não foi suficiente pra vencer a decisão materna. Eu desfalquei o time. Oras, é a verdade. Mas nos últimos anos, depois de alguns outros anos de sedentarismo, o futebol virou atração televisiva. E só. Nas últimas vezes que tentei praticar o esporte, me dei mal. Uma eu tive uma luxação no punho (diga-se de passagem, tudo aconteceu depois de uma bela jogada deste que vos escreve, é sério - e lá se vai mais um filminho pras gavetas da memória). Na última vez, foi pior. Uma torção no joelho ( o velho joelho que já sentou em um copo e foi aberto acirurgicamente) me deixou um mês parado. E até hoje, corro, de bicicleta, pra trazer a vida aos meus músculos (?!) da perna que atrofiaram. Futebol, nunca mais. Já pedi ajuda a um anjo pra que não me deixasse nunca mais cair na tentação de pisar em um campo ou quadra. Só se for pra jogar peteca.
Acima, o mané sendo carregado após torcer o joelhão branco ao pisar em um buraco. Ou seja, dessa vez me ferrei sozinho.
PABLO ALCANTARA 3/31/2003 03:39:08 PM
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Sábado, Março 29, 2003
Uau - uma divagação rápida ao som de Squirrel Nut Zippers - Uau, que dor miseravel amigo! Quando seus dedos se sentem um pedaço de cocô.
Eles estão falando sobre as interrogações estampadas na sua testa. Logo ali, acima desse nariz vermelho. É melhor dançar o swing, baby. Sem mulher, sem trabalho, sem abrigo. Mas eu digo, não se importe, esqueça a vida. Afinal, você nunca dança os mesmos passos, você nunca canta a mesma melodia, você tradicionalmente quer sempre novidades. Então, se envolva nesse ritmo, deixando levar-se pelo balanço do que é bom e talvez daqui a pouco, lastimável. Contraria sunt Complementa.
Sincronize sua dança nessa harmonia desajustada, vá lá, tente um pouco mais. Se não é possível seguir nenhum manual, um, dois, três, direita, esquerda, se libere.
Isso, um palhaço dançarino que não é ninguém até que alguém lhe ame, pode ter certeza.

PABLO ALCANTARA 3/29/2003 03:14:15 PM
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Sexta-feira, Março 28, 2003
A dor e a palavra - Esse é o meu primeiro poema que coloco aqui. A minha idéia nem era fazer isso. Tudo que eu escrevo nesse formato fica guardado, ninguém lê. Mas um último comentário feito pelo meu amigo Militani me fez pensar sobre a angústia, a dor e a palavra. Então, lá vai alguma coisa que escrevi sobre essa tradição dramática que acaba na pena (a do escritor).
Minha dor dos séculos
As mãos calejadas
Tentam tapar o grito
Afagaram a dor
que navega pelos mares dos séculos
Homens escravizados por homens
Senhoras sacras nas sacadas
Juraram suas mentiras
E eu canto um sonho sem pai
Como melodia que não começa
E teima em gritar em meus ouvidos
Ouço vozes ancestrais
Tão novas
Serão modernas?
Se o choro de suas vidas
Seca nas teias dos séculos
Será antiga minha dor
Será cativo o meu penar
Percorre ele as veias do século?
O mar vermelho do meu sangue
Afaga as caravelas feitas de teias
E pelos séculos se vão
Levando sonhos
Levando cantos
As vozes me chamam
Gritam de peito cheio
melodias sem começo
O peito calejado grita
Uma dor sem pai
Melodia sem começo
Será o mar o meu pai?
Ou o vento que seca
nas teias das caravelas?
O vento que me leva
Me leva?
Ou leva sonhos, cantos
Enquanto isso as mães
Deitadas na cama dos séculos
Parindo homens escravizados
Aos cuidados de mãos calejadas
Gritam a dor vermelha
Sangrando as teias dos séculos
Será a dor minha mãe?
Ou o canto dos séculos
De melodias sem fim?
O canto que grito
É meu?
Ou serão vozes ancestrais?
Homens escravizados por homens
Senhoras sacras nas janelas
Juraram mentiras
Mas hoje a dor chegou em meu cais
Hoje a dor é só minha
Eu sou seu pai
Eu sou sua mãe
Levando sonhos
Levando cantos
PABLO ALCANTARA 3/28/2003 03:42:05 PM
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Quinta-feira, Março 27, 2003
Time is on my side, yes it is - Existem duas expressões na língua inglesa que são parecidas e se complementam. Uma delas é o título de uma das melhores músicas dos Rolling Stones, Time is on my side. A outra é "This is the time of my life". Livremente, a gente pode traduzir como "agora é a minha vez", "essa é a hora", "chegou o seu momento", sei lá. Só que não adianta esse ser o seu Time of your life se o time não estiver do seu side. Sacou?
Sacações de lado, eu só sei mesmo que alguma coisa aconteceu e todos os meus prótons, elétrons e nêutrons estão se movimentando em uma órbita nova, de uma maneira amplamente consciente e harmoniosa. A minha única obrigação é perceber esse ritmo e pular no bonde. Eu já pulei. E comigo eu levo na bagagem - a minha velha bagagem de sonhos - a crença pela minha música, minhas letras, meus abraços a quem merece abraços e meu amor, além da flor, do elevador e do beija-flor. Bom, cueca eu não tô levando não, que não preciso.
A vida meu amigo, é mais ou menos como diria Guimarães Rosa, ela às vezes aperta, outras afrouxa, e tudo o que ela quer da gente é coragem.
Olha aí: The young Rolling Stones
"Time is on my side (Yes it is)
Time is on my side (Yes it is)
Cause I've got real the love, the kind that you need
You'll come running back to me"
PABLO ALCANTARA 3/27/2003 08:42:34 PM
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A vida inteira que podia ter sido e que não foi
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi,
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
PABLO ALCANTARA 3/27/2003 04:03:14 PM
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Quarta-feira, Março 26, 2003
Ouça seu coração - Só por hoje, rola fazer um teste e tentar ouvir o coração. Depois vocês me contam o que aconteceu. Abaixo um trecho que pulsa sobre a inteligencia cardíaca.
"Eu acredito que este coração a que me refiro é o órgão mais inteligente do nosso corpo.
Ele não é lógico nem intuitivo. É mais que isso. Como é comprometido com a nossa felicidade suas respostas são sempre corretas. O problema é acatar a resposta e agir segundo ela. Aí precisa de coragem. Gosto de brincar assim: a origem da palavra coragem é "agir com o coração" - cor + agire, em alguma língua antiga. De qualquer forma, coragem existe para ajudar a gente a se expor como único, a não ser apenas mais um, a assumir uma opinião, uma posição.
Infelizmente ou felizmente, a coragem que se exige hoje não é para fazer grandes revoluções. Todas as grandes revoluções já foram feitas. Os candidatos a herói podem mudar de planos. A única grande revolução que restou não precisa de grandes heróis porque ela é feita de pequenos gestos, no dia-a-dia, no trabalho, em casa, na rua. É uma revolução individual, profunda e definitiva porque ela ocorre na consciência. Essa consciência nos dá noção de identidade, de auto-estima, de propósito, de rumo, de eixo."
Ricardo Guimarães
PABLO ALCANTARA 3/26/2003 03:10:08 PM
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Domingo, Março 23, 2003
Numa moldura clara e simples, sou aquilo que se vê -
CONSULENTE: Pablo Hernandez Quintana Pereira de Alcantara
NASCIMENTO: Data e horário: 12/01/1977 - 23h30
Astrologia
Sol em Capricórnio - É o mais determinado dos signos, não medindo esforços e sacrifício para atingir seus objetivos e ambições. É frio, reservado, tendo dificuldades de se expressar espontaneamente. Uma das suas maiores batalhas é vencer suas inibições. É sincero e leal em seus relacionamentos, que por isso costumam ser duradouros.
Ascendente em Libra - Voltados para os relacionamentos, levam em profunda consideração o que os outros precisam e querem. Não gostam de ficar sozinhos, suas ações expressam graça e beleza associadas a um forte senso de justiça.
Lua em Libra - Enorme necessidade de companhia. Espirito conciliador.
Mercúrio na casa 4 - Predisposição a mudar de residência varias vezes durante a vida.
Vênus em Peixes - Sonhador, criativo, romântico. É um idealista, sensível a toda manifestação artística. Por almejar o sublime, tende a viver desilusões afetivas.
Numerologia - Evite o desperdício de energias e conseqüentemente de recursos e de tempo. Há a tendência a não completar aquilo que inicia; e, ceder aos vícios.
Sendo a personificação da própria imaginação, você é atraído para a literatura, a música e a dança, e para a vida social. Tudo isto forma sua imagem de pessoa otimista, amistosa, sociável. Agradável, amigo, gentil e criativo. Por vezes desagradável, fútil, presunçoso, negligente, ciumento, intolerante ou falso.
Gosta de ser bem-informado e de que os outros o compreendam. Descansar e relaxar quando puder, também é um dos seus desejos.
Seu lado negativo é a impaciência, o retraimento, o nervosismo, a crítica, a confusão mental, a traição e o uso de drogas.
Tela-pablo.jpg
PABLO ALCANTARA 3/23/2003 07:06:25 PM
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Sexta-feira, Março 21, 2003
Blá, blá, blá e blá - Johnny Ramone apóia guerra no Iraque - O guitarrista Johnny Ramone, que durante 20 anos tocou no grupo de rock Ramones, disse agora há pouco que é a favor da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque:
- Acho que a guerra é necessária - disse ele ao GLOBO - Ninguém gosta de ver uma guerra, muito menos uma onde podem morrer soldados americanos, mas Saddam Hussein há anos está descumprindo acordos internacionais, e blá, blá, blá, blá.
Essa foi a notícia mais sem nenhuma importância sequer do dia!
De que vale a opinião do Johnny Ramone e seus três acordes sobre a guerra?
Se ainda fosse a do Chuck Norris. Ah, vá lá, disso ele entende.
Essa nota me lembrou meus anos de redator de rádio FM em que eu inventava tudo. Lá nasceu o Interativa´s Way to make Journalism. Dr. Shimechel e The Vooddo Baby Vieira tavam nessa também, que não me deixam mentir.
PABLO ALCANTARA 3/21/2003 07:43:04 PM
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Watching the war - Mirando la guerra - Bisgoiando esse trem de doido - Guerrius Observium - Me transformei em um despertador de 1,85, 74 kg, branco desnatado e com pêlos ibéricos no cupim da corcunda. Hoje de manhã voltei a acordar precisamente às 5h30 da manhã. Não queria ouvir música, não queria pensar. Sem muito o que fazer, após rolar duas horas e desfazer a arrumação do meu lençol, fui ver tv.
Anteontem, enquanto comprava um sanduba num Pit Dog, assumia minha condição de observador social e escutador do papo alheio. Uns moleques pós adolescentes conversavam sobre bonés e bicicletas, até que um deles se rebelou do grupo bruscamente e como se tivesse com a diarréia descendo as pernas aclamou: "tchau, tô indo nessa assistir à guerra".
Preciso dizer mais alguma coisa?
Então, hoje de manhã, fui assistir à guerra.
Não tem o que fazer? Tá sem grana pra sair? Vai assitir à guerra!
PABLO ALCANTARA 3/21/2003 04:35:46 PM
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Quinta-feira, Março 20, 2003
Tacivra ou Tasvra - Quem é Tacivra ou Tasvra. Que merda de nome é esse? Por que ela apareceu em um sonho meu? Pra onde ela queria me levar?
Por que sonho constantemente com mulheres grávidas? Tacivra ou Tasvra tem os olhos verdes bonitos e um nariz curvado e grande.
PABLO ALCANTARA 3/20/2003 08:31:53 PM
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Balelas de um estado recluso - Eu quero é ir embora desse lugar. Eu quero é reclusão. Vou ir pra casa e continuar a ter febre quando ler Crime e castigo. Cheguei a conclusão que comer perdeu o sentido. Basta a primeria mordida pra se sentir o sabor. O resto perdeu o sentido. A mastigação perdeu o sentido. Eu quero o lirismo do Manuel Bandeira dos Clows de Shakespeare.
PABLO ALCANTARA 3/20/2003 08:27:46 PM
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Quarta-feira, Março 19, 2003
Projequitos de vida - Boas Novas:
O Tomahawk do Mike Patton e Duane Dennison tá com novo cd por aí.
Só me resta lamentar que por enquanto não vou poder ouvir. Não tenho grana pra importar um e não tenho um computador pra baixar as musiquetas.
Mas ouvir o Tomahawk é um projeto de vida. Eu vou lutar, trabalhar com afinco todos os dias e chegar ao objetivo inicial. Como diriam os seguidores da seita comercial Amway: Go Diamond! Essa obstinação bitolada (e tipicamente norte-americana) sempre me incomodou muito.
Tá bem, ter a aquisição de um cd como projeto de vida é pequeno? É, e muito.
Mas hoje até comprar o meu sucrilhos será projeto de vida.
Quem disse que eu tenho que ter um grande projeto de vida? Tá certo, eu disse.
Hoje eu vou experimentar esquecer meus projequitos de vida. Me livrar deles.

PABLO ALCANTARA 3/19/2003 03:00:35 PM
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Terça-feira, Março 18, 2003
Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos - Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade e afogarão invejosos -
BidêouBalde
PABLO ALCANTARA 3/18/2003 07:46:36 PM
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Eu distribuo um segredo como quem ama ou sorri - O digital marca 5:14 da manhã, mas já fazem uns 15 minutos desde que acordei. Eu me lembro que ontem, passei um dia encasquetado, preocupado. Um dia sem colorido e seco. Mas me lembro também que fui dormir com um sorriso na cara. Cara de quem tá tranquilo e até faz beicinho antes de pegar no sono. Mas nem que fosse santo saberia me conter. Foram minutos doces e eternos, de riso e paz, ao telefone.
Bebo outro gole d'água do copo com água dormida que sempre deita ao meu lado. Hoje, pela segunda madrugada consecutiva acordo no mesmo horário. Não consigo mais dormir. Assim como ontem, rezo. Primeiro com apelo balbuciado, depois, com afinco. A mesma prece que minha mãe me ensinou. Penso nela. Ela sempre forte e protetora. Como seria se eu estivesse em seu útero? Ironico: antes de dormir pensava na família matriarcal da qual fui gerado. Mulheres fortes das quais sempre fui rodeado. Por todos os lados o sustento, do corpo e da alma. O seio e a mão, o leite e o cuidado. Pensava também nos homens da mesma família e em sua carência vital por mulheres fortes que os acompanhassem.
O choro guardado que insiste em derreter teimoso, é de homem que não chora. A confissão é do menino que berra por afago.
CANÇÃO AMIGA
(MILTON NASCIMENTO/CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
EU PREPARO UMA CANÇÃO
EM QUE MINHA MÃE SE RECONHEÇA
TODAS AS MÃES SE RECONHEÇAM
E QUE FALE COMO DOIS OLHOS
CAMINHO POR UMA RUA
QUE PASSA EM MUITOS PAÍSES
SE NÃO ME VÊEM, EU VEJO
E SAÚDO VELHOS AMIGOS
EU DISTRIBUO UM SEGREDO
COMO QUEM AMA OU SORRI
NO JEITO MAIS NATURAL
DOIS CARINHOS SE PROCURAM
MINHA VIDA, NOSSAS VIDAS
FORMAM UM SÓ DIAMANTE
APRENDI NOVAS PALAVRAS
E TORNEI OUTRAS MAIS BELAS
EU PREPARO UMA CANÇÃO
QUE FAÇA ACORDAR OS HOMENS
E ADORMECER AS CRIANÇAS
PABLO ALCANTARA 3/18/2003 07:44:58 PM
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Segunda-feira, Março 17, 2003
Dois weird coelhos em uma postada só - Tá faltando imagem nisso aqui. E como tá faltando referências também, lá vai uma tirada exclusivamente do Bungle Weird. Duas referências: o site e a banda.
Na foto, ele, Mike Patton.
Mestre.
PABLO ALCANTARA 3/17/2003 08:25:53 PM
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Inundação - Apesar das águas de março que fecham o verão, me sinto seco.
PABLO ALCANTARA 3/17/2003 07:56:20 PM
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What do you think I am? A fool? - Eu queria pegar dois frutos quaisquer e obter deles um cruzamento. A lua tem uma Terra e a Terra tem uma lua. Queria poder curar uma dor de cabeça em um show do The Who. Queria sentir o que sentiu o primeiro homem a vestir sapatos. Queria lembrar da solução quando armo uma cilada para mim mesmo. Aquilo ali é uma gralha ou um corvo? Acabei de ser observado quando observava discretamente da janela. Só mais três minutos, por favor. Jesus sabe qual é a cor do Lusco-fusco. Eu sou e estou no Tao. Queria saber se o calor das coisas é o epicentro da vida. Só depois entendi o valor do desafio. Eu não quebraria a cara por uma maçã. Eu não quero saber até onde vai minha dimensão poética. A sabedoria popular quer ganhar a vida vendendo um dedo de prosa. Quanta incompreensão cabe em uma mesa farta de palavras! Queria comer em uma cadeira da Bauhaus, observando um desenho emoldurado. O gosto da fome tem um aroma quente. Rima rica e prosa pobre. Aliterações, sacações e congestionamento nasal. Queria escrever um texto mistura de nada haver com tudo haver. Mistura de nada a ver com tudo a ver.
PABLO ALCANTARA 3/17/2003 07:53:58 PM
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Pra pensar -
"Sentimento sem ação é a ruína da alma"
Edward Abbey
PABLO ALCANTARA 3/17/2003 07:44:45 PM
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Sexta-feira, Março 14, 2003
Homo Bulla est - Lembro das tardes que passava brincando, quando meus primos passavam as tardes brincando lá em casa. Ser criança é simplesmente não ter o que pensar. O tempo é dócil e não machuca. Parece brincadeira, mas o tempo não dá trégua, só acaba no fim do dia, na hora de tomar banho. Mesmo assim, eu trapaceava as horas e minha mãe, lavando somente os pés. O banho ficava pra amanhã. bem no meio da brincadeira uma pausa para o lanche. A imaginação borbulhando. Bolhas pra todos os lados. Uma delas se desgarra, vai subindo, subindo o céu azul.
Abro os olhos, avanço o tempo, atualizo meu espaço azul num gole de café. Lá fora, na rua, as pessoas com as almas semi-despidas. Eu, na cama deitado, interrogo-me. Aí, na minha cuca, descubro umas coisinhas de bengala e cartola. Olho eu aqui, peladão, com 26 anos e todo sério. mas é inútil, e me comporto como um carnívoro se alimentando de comida verde. Por tudo, com garras e dentes, quero manter todos os dia essa paz, essas tarde que mais parece raminho de arruda na orelha. Será que posso guardar essa felicidade dentro de uma bolha? mas uma bolha é muito só. Aí, aqui, na cama, lembro-me de seus olhos. Dentro deles, quero guardar uma tarde da infância. mas lá dentro, quero seus olhos nos meus. Nós dois como bolhas subindo no céu de uma tarde azul.
Abro os olhos, no quarto, seus olhos como duas bolhas. Seus bolhos brincam e não me deixam pensar em mais nada.
Essa paz, esse amaor, a flor e o elevador, as rimas enfim, levarei até amanhã, nem que eu trapaceie o tempo e lave apenas os pés.
Texto escrito dentro de uma bolha azul na tarde de quianta feira 13-03-2003
PABLO ALCANTARA 3/14/2003 04:46:51 PM
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Terça-feira, Março 11, 2003
Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um 10 - Como dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, não foi possível expor nada sobre a data, nenhuma enxaqueca sequer, tento me redimir postando algo que escrevi em algum lugar do passado, mas que, deveras, tem a ver com isso tudo.
Só queria lembrar que acho isso de Dia da Mulher, uma balela. No fundo, aqui, nós que somos civilizados, sabemos que mulher não tem que ter uma data especial. Mas é claro, por alguma razão, não sociológica, mas política e instituicional, todo ano ainda é lembrada essa data. Afinal, o que é pra se lembrar com essa data? Seria a cosntatação de que algumas mulheres ainda sofrem violenza domestica (ebá, só pra citar o Mr.Bungle)? Ou então, não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho e blá blá blá?
Se for isso, assim será e essa comemoração tem razão de existir. Mas até quando? Terá uma ocasião em que anunciarão em decreto: "Não é mais necessário haver o Dia Internacional da Mulher"?
Tá aí a homenagem:
Simplesmente Mulher
A mulher comum não é uma atriz nem uma cantora. De tanto brincar de mãe, afaga e apedreja o homem. Umas mais, outras menos. Seu corpo é berço e cama. Ao homem resta ser encaixotado e depois cuspido. Ao homem resta aceitar a dádiva de ser um brinquedo vivo. Ao homem resta vingar a condição dependente. Resta tornar o mundo só seu. Ele pensa que manda. Ele pensa ser Deus entre o céu e a terra. O Deus homem. Porém é tão asno quanto a distância que separa o céu e a terra. Ele não enxerga a soberania da mulher. Soberania escondida em teu seio. Eterno apêndice. Eterno gosto em nossas bocas. A mulher abraça o mundo com as pernas. Suas mãos livres afagam a cabeça do menino Deus. O menino Deus quer brincar de papai e mamãe. O homem não controla o desejo de nascer de novo. Só os santos eternos. Sozinho ele não é nada nem o mundo é só seu. Ele é só. E de braços e pernas abertas ela permite. A mulher ideal é maior entre todas as outras. Por simplesmente ser ela mesma. Sem querer ser igual ao homem. Desconjura!!! Por simplesmente ser ela mesma. Sem pano e sem máscara. Ela sabe o que sua história pode fazer. A mulher comum se valoriza como mulher. Ela simplesmente é mãe de todos os homens. Delicadeza.
PABLO ALCANTARA 3/11/2003 06:14:58 PM
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Amante negro eu vou - Esse post vai diretamente ao meu primo, Tiago, que em último encontro revelou sua predileção ao black is beautiful.
E como diria o Marcos Valle:
Hoje cedo, na Rua do Ouvidor
Quantas loiras horríveis eu vi
Eu quero uma dama de cor
Uma deusa do Congo ou daqui
Que se intere do meu sangue europeu
"Black is beautiful", Marcos Valle
Oha aí, um exemplo da beleza marrom!
PABLO ALCANTARA 3/11/2003 05:43:54 PM
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Shimeichel e Bukowski - Sem mais.

PABLO ALCANTARA 3/11/2003 05:17:59 PM
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Só uma coisinha - Se eu me encontrasse cara a cara, olhos nos olhos com Deus e tivesse uma pergunta pra fazer, perguntaria: "Mas por que é que eu via tanto clipe por aí, nas ruas, nas gavetas, nos bueiros!? Caralho!"
PABLO ALCANTARA 3/11/2003 05:04:34 PM
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Coffee Delight - Entre um café e outro, essa é uma homenagem aos que insistem em não complicar a vida. É claro, desafio qualquer um a traçar uma semelhança entre os citados. Mas não importa. Dadá Maravilha e Tom Jobim. Acho que nunca em nenhum impresso ou citação, esses dois estiveram lado a lado.
Dadá Maravilha - "Não me venham com problemática, porque tenho a solucionática."
Tom Jobim - "As letras são como as músicas. A gente sempre retoca certas coisas, não é? A gente dá sempre uma garibada. Mas muitas vezes ao tentar aperfeiçoar uma canção, você acaba com ela. "You ruin the song trying to perfect it". Você tenta aperfeiçoar o troço de um jeito que ele acaba perdendo a graça. Porque às vezes a graça que tem é essa improvisação. O público também muitas vezes corrige a canção. Você bota uma nota complicadinha, um "psilone", como dizia o Vinicius. Um "psilone" assim meio de lado e depois o público, o povo mesmo, o povão, "endireita" a canção, dá uma nivelada, porque senão fica complicado para o sujeito cantar aquelas notas que são notas do especialista, do profissional."
Aula de Matemática - Antonio Carlos Jobim e Marino Pinto
1958
Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.
Olha aí, o mestre!
"Não existe gol feio, feio é não fazer gol", esse é pimenta!
PABLO ALCANTARA 3/11/2003 04:50:16 PM
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8 ou 80, 8 e 80 - Dessa vez não foi letargia, nem sindrome de ostra. Fiquei sem computador e sem enxaquecas no blog. Mesmo pedindo desculpas por coisas que nem fiz, cometi algumas grosserias. Por mais que trouxesse sorrisos, sou um cara infantilóide. E por mais que exatamente nem saiba o motivo, é posto e sagrado que ainda fico ao seu lado.
PABLO ALCANTARA 3/11/2003 04:20:00 PM
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Quinta-feira, Março 06, 2003
Eu, dentro de si, dentro de mim - Não usar cueca, café com pouco açúcar, camisa com mangas dobradas, a mesma marca de creme de barbear, o mesmo perfume. Já posso ser identificado por alguém que me conheça bem. E você?
PABLO ALCANTARA 3/6/2003 02:38:49 PM
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Terça-feira, Março 04, 2003
Michael, I dont care about you - O Michael Jackson é o ser mais feio do mundo. Isso porque ele não é humano. Assisti a reportagem: Living with Michael Jackson.
Megalomania e pedofilia. Ele está no ponto mais alto onde o pop poderia ter levado alguém. O verdadeiro Dreamland. O limbo do ego. Dele eu não tenho pena, porque nem gosto de sentir isso, mas tenho dó dos ditos filhos dele, que só saem nas ruas com panos escondendo os rostos.
PABLO ALCANTARA 3/4/2003 06:54:20 PM
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Como diria Frank Sinatra: Be carefull, it´s my heart - "Aparentemente, o simples fato de sermos humanos já é suficientemente dramático para todos nós; não é preciso ser viciado em heroína ou poeta performático para vivenciar emoções extremadas. Só é preciso amar alguém." Kate Carr (Nick Hornby) - Como ser legal
PABLO ALCANTARA 3/4/2003 06:42:16 PM
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Da série: Primeiros Passos - Avisem ao relapso, avisem ao atento ouvinte: Shimeichel e Bukowski vieram pra ficar. Depois de anos de composições distantes, aleatórias, intuitivas e pragmáticas, a dupla de filósofos do cotidiano deram o primeiro passo (será esse?) pra que a vida seja muito mais divertida. A nossa vida e a de quem possa interessar. Nós dois gravamos em 4 dias, 4 musguinhas. Já sinto entrando nos meus pulmões os ares que impulsionam mil caravelas. Sai da frente.
Bukowski descendo a mão
PABLO ALCANTARA 3/4/2003 06:31:35 PM
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O meu cachorro me latiu sorrindo - Voltar para casa é como ler repetidas vezes O Menino no Espelho, do Fernando Sabino.
PABLO ALCANTARA 3/4/2003 06:18:10 PM
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