O Garoto Enxaqueca

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Quinta-feira, Janeiro 30, 2003

Música 6mg - As probabilidades de vida a longa a uma criatura sedentária são minúsculas como um zigoto. A constatação não é minha, mas de médicos e personal trainners espalhados por aí, e que de alguma maneira se tornaram indispensáveis para a vida humana em nossa época. É sério, não acredito que uma pessoa procure um profissional da boa saúde apenas pra ficar com o abdômen de tanque e o corpo malhado. A intenção é viver bem e muito. Só que pra isso, tem que suar. Mas malhar, se exercitar, não é apenas uma questão de vontade, mas de gosto. Se existe gente que não gosta de ficar sentado vendo televisão, porque eu tenho que gostar de atividade física? Se você é um desses sedentários, mas que, ao mesmo tempo se arrepende ao pensar no seu colesterol - esse é como lixo em esgoto, se esconde, mas está lá, aumentando - e o se orgulha de seu recorde de permanência, 28 dias, em uma academia, suas angústias estão terminado, ou melhor, já existe pelo menos uma desculpa pra ficar sentado. É que especialistas se reúnem esse mês, na Baixa Áustria, para anunciarem o uso cada vez mais freqüente da música como terapia e aplicada até mesmo na cardiologia.
É claro, todos os estudos apresentam dados sobre o uso da música para o tratamento de problemas neurológicos, ou seja, trabalham no produto e não na causa. Não quero convencer ninguém a largar a academia e entrar em um conservatório. Até imagino charlatões receitando música. No receituário viria: Nona Sinfonia de Beethoven, de duas em duas horas. Mas ao mesmo tempo, quando soube da notícia, fiquei feliz e esperançoso de que os estudos nessa área avançarão. E um dado específico me deu motivos para acreditar no uso da música para salvar vidas, é que um projeto da companhia de seguros austríaca Auva, confirmou que o número de acidentes de trabalho na construção, pode ser reduzido consideravelmente por meio do jazz!
Pare e pense em um mundo em que músicos são tão importantes como médicos. Nunca mais mães desesperadas para que seus pimpolhos vestibulandos escolham como carreira, a medicina, vão se descabelar quando souberem que na verdade, o futuro do menino está no Dó-Re-Mi. Já pensou em ir à farmácia pra comprar um cd? Seria o mundo perfeito, e mundos perfeitos não existem na realidade.
Tudo bem, toda essa balela sobre música como remédio é suposição que beira o delírio. Mas a mesma mente que delira, é aflita, indecisa e precisa de estímulos a cada segundo. E é aí que a santíssima música nos abençoa. Perceba, é como se fossemos um bebê chorão, dormindo solitário no berço em quarto escuro. Sem consolo, sem ajuda, e principalmente, não tem a voz da mãe por perto. A voz da mãe que nina e acalma. E consola. No nosso mundo adulto toda canção é de ninar. Somos bebês chorões esperando a voz perfeita e a melodia que nos caiba, na tristeza ou na alegria. Chico Buarque é mamãe, Elis é mamãe e quem diria, até o velho Frank Sinatra, a própria voz, é mamãe.
Como no mundo real, no imaginário mundo perfeito dos músicos médicos e dos cds remédios, eu seria um adicto da farmacologia musical. Aliás, já sou um desses. É música ao acordar, andar de carro, tomar banho, comer, dormir e até mesmo existem aquelas "songs to make love". Sendo assim, quero todos os efeitos de uma bela canção, até mesmo os colaterais. Vá por mim, diagnosticado todos sintomas, traga a música à sua vida, e coloque perfeição, harmonia, a um mundo desafinado e torto.

- Esse artigo aí eu escrevi pra o jornal em que trabalho. Às vezes faço isso. Deu vontade de compartilhar o negócio, por isso publiquei aqui.
PABLO ALCANTARA 1/30/2003 08:47:14 PM

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Quarta-feira, Janeiro 29, 2003

MOMENTO MATHEUS BOY 2 - Pedro Bial vai-toma-no-mey-do-seu-cú.
PABLO ALCANTARA 1/29/2003 08:08:48 PM

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O Marmota do Rock - Será o senso estético genético ou adquirido? Sei lá, gente como Baby Consuelo, Elke Maravilha, aquele baiano xande que se casou descalço com aquela que tem o chassi grande, esses me fazem acreditar na doença do mal gosto. Mas uma das comprovações do mal gosto no que se refere ao vestir a carcaça, é o Roberto Frejat. Ele nunca se vestiu bem. Nunca em toda a sua vida. Nunca. E olha que ele não é um vileno, um peba, um suburbano, um serdesprovido de informação. Mas não sabe se vestir. è muita bota, muita calça de couro, tecidos de estampas de oncinha, lenços, cores. Ele é o homenageado de hoje da sessão: Marmota do Rock
PABLO ALCANTARA 1/29/2003 08:05:13 PM

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Terça-feira, Janeiro 28, 2003

Lonely Heart irritado pra caralho! Eu dou um valor enorme a minha vontade própria e em toda a liberdade de conduzi-la. E ela está ligada diretamente aquilo que eu acho bom e ruim, zen e irritante, feio ou belo. Conduzir a vontade livre é caminhar apenas onde existe um senso estético que caiba aos seus sentidos. Pare, espere. Quero registrar uma frase de um canção que me lembrei, é boa, pode ter certeza. O dono dela é um dos poetas do rock brasileiro (e por que não, esse título já foi tão cagado que pode ser usado até pra mim), Humberto Gessinger. A coisa dizia assim: "Nem sempre faço o que é melhor pra mim, mas nunca faço o que não tô afim de fazer". E é mais ou menos sobre isso que tô falando. Dia desses tava lendo um livro. Um livro que se chamava: Clube dos corações solitários. Já pelo título tive que respirar fundo pela minha auto-estima, pra não me considerar um lonely heart e assim, estar lendo o lance por uma espécie de auto ajuda e identificação. Feita a leitura, página por página, a irritação surgia. Surgia nos cometários do protagonista e escritor. Um japônes jornalista que decidiu contar parte da vida em um livro. Mas o cara era extremamente irritante. Daí, eu parava de ler, jogando o impresso longe. Viva a minha vontade, livre. Mas como sou um otimista por natureza e genética paterna, sempre voltava a ler o livro acreditando na inocência do nipo-brasileiro (mas na verdade tava gostando do troço). E foi assim, até o final do livro. Às vezes o que te irrita é extremamente sedutor.
PABLO ALCANTARA 1/28/2003 09:03:46 PM

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Segunda-feira, Janeiro 27, 2003

Ela só quer dançar - Eu sou um fruto dos anos 80 (importante: toda vez que citar essa década, parar, como se refletisse de saudade, olhando ao horizonte distante). De aparelho 3 em 1 ao Genius e Pogobol, todos passaram nas minhas mãos. E como eu amo a música dessa década. Mas passou. Quem era não é mais. Mas tem gente que quer ser o que não é. Tudo bem, o sujeito precisa comprar arroz com feijão, ter dinheiro pra pequenos vícios, enfim, não condeno. O sujeito do lance todo aqui se chama Dinho Ouro Preto. Pelo amor de Deus. Não sei o que me é mais patético. Uma geração que precisa de um quarentão pra dizer coisas a ela, ou o próprio senil compor como se tivesse 15 anos. Será que não existe ninguém com 20, 22 anos fazendo música, falando pra outrens da mesma idade? Essa é uma pergunta com várias respostas. E não sou eu, o ser renascido das trevas da letárgia, quem vai responder. Mas, na boa, Capital Inicial faz parte das coisas sem razão de existência. A não ser pelo arroz com feijão dos seus cretinos integrantes.
PABLO ALCANTARA 1/27/2003 08:55:49 PM

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Ars Moriendi - Voltei. Indignado pelos dias de letargia bloguistica mas ao mesmo tempo consciente da minha liberdade ao ponto de me perdoar. Se deixei o danado desprovido de novidades, não foi por falta de assunto, até porque isso a gente inventa, mas sim porque tava com preguiça de blogar. É claro, essa preguiça existe. Se não existia, existe agora. Bom, volto com a certeza que não devo chorar. Só choramingar. Babando de raiva ou de euforia, mais algumas palavras estão garantidas.
PABLO ALCANTARA 1/27/2003 08:44:13 PM

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Segunda-feira, Janeiro 06, 2003

MOMENTO MATHEUS-BOY - Gilberto Gil, vai-toma-no-mey-do-seu-cú.
PABLO ALCANTARA 1/6/2003 09:04:47 PM

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O selecionador de filmes de ônibus. Todos os filmes que são apresentados em ônibus interestaduais são horríveis. Eu não acredito que alguém faça a seleção daquilo, mas mesmo assim, já consegui diagnosticar uma similaridade dentre as películas. Primeiro, eu queria explicar que é óbvio que uso esse meio de transporte por fatores econômicos. Eu não tenho um carro, muito menos um jatinho. É o seguinte, a maioria dos "filmes de ônibus" são apocalípticos. Do tipo Mad Max. O mundo foi destruído e restou um povo estranho vivendo em desertos. O problema é que essas produções são quase todas distribuídas por aquelas companhias tipo Top Tape e Paris Filmes. Mestres na podreira. Produções mal acabadas e elenco canastrão. Não dá. Eu prefiro minhas fitas musicais e meu walkman. É, eu tb não tenho um discman e ainda uso fitas, daquelas tipo Schott.
Uma vez aconteceu o inesperado, em uma viagem que não me recordo pra onde e de onde, colocaram no vídeo, 2001 - Uma odisséia no espaço, do Stanley Kubrick. Enquanto todos no ônibus dormiram, eu fiquei aquelas horas de absurdo maravilhoso, vidrado na parada. Será que o selecionador de filmes de ônibus (se essa profissão existir eu juro que compro um cd do Carlinhos Brown e digo que adorei) achou que, 2001, era apocalíptico?
E outra, se a profissão de selecionador de filmes de ônibus existir mesmo, a sensibilidade não é uma das características mais pungentes desses seres. Certa vez, resolveram colocar no vídeo um filme da série Faces da Morte. Na primeira cena um pai de família, do tipo turista-em-tons-pastéis, vira almoço de leão. Tudo presenciado pela família do ser humano. Choros, gritos, angústia e desespero de seus filhos registrados na íntegra. Essa não teve jeito, senhoras presentes logo pediram que a fita de mau gosto fosse ejetada. Apocalipse puro.

PABLO ALCANTARA 1/6/2003 08:53:07 PM

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Quinta-feira, Janeiro 02, 2003

Entrega de prêmio é um cú. Os seres humanos que vivem no planeta Terra são divididos em duas categorias: aqueles que tem talento e os sem-talento. A falta de talento é diagnosticada desde a infância quando no primário, por exemplo, a professora prepara uma pequena encenação na sala de aula. Na boa, eu que fui criado em um ambiente espontâneo, criativo e de pessoas bem humoradas, tirava de letra uma situação dessas. Mas tinha gente que só faltava babar. É sério, pode ter certeza que esse povo é que trabalha e ocupa cargos de gerente. Mas o motivo de ter tocado nesse assunto, não é nem pra falar do talento, mas sim da espontaneidade. Pode dizer a verdade, você já se sentiu mal (de um jeito inexplicável, como se tivesse um aperto no peito ou um lance ruim no estômago) quando alguém tenta fazer uma piada, tenta ser o que não é, passa vergonha, fala coisas piegas e na hora errada, faz um sotaque que não é o seu, e simplesmente dá um ataque de falta de espontaneidade?!? Pois é, eu sinto muito isso. E hoje isso aconteceu quando eu assisti na tv uma reapresentação dessas entregas de prêmios da MTV brasileira. Patético. Alguma coisa ali tá errada e faz tempo. A Fernanda Lima (muito linda mas pouco espontânea) disparava piadas decoradas entre uma apresentação e outra. Os convidados a apresentarem as categorias, idem. Todos com total falta de tempo humoristico. Esquetes que parecem ter sido feitos às pressas. Eu entendo que aquilo ali é chupado da matriz norte-americana. Mas esse acaba sendo um dos problemas. Porque entrega de prêmio daqueles gringos é uma das porras mais sem graça do universo. E os macacos da filial do terceiro mundo acabam imitando, e mal, "os mestres". Pelo amor de Deus. Tenhamos dignidade. Brasileiro, em sua maioria, é bem humorado e graças a espontaneidade. Bom, entrega de prêmio, lista de melhores, isso é uma babaquice tremenda e que atende unicamente às gravadoras ou egos de críticos. Então, já que é assim, é melhor criar uma fórmula diferente e condizente com a nossa cultura. Isso se tiverem talento pra isso.
PABLO ALCANTARA 1/2/2003 08:00:09 PM

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Blog. Sejamos sinceros, só mesmo a nossa vontade de sermos relevantes e indivíduos "legais" é que podem motivar alguém a manter um blog, e revelar sua vida e suas idéias para outrens. Tá certo, tá certo, somos uma geração que quer viver como se tivesse em um seriado da Sony. Personagens. Personagens reais de uma realidade patética e hilária. A vida é mais fácil assim.
Mas enfim, o que nos faz pensar que a nossa rotina e pensamento é tão interessante assim? Será que não existem outras maneiras de nos tornarmos reconhecidos. Escrever um livro, fazer um filme, descobrir uma vacina. Mas isso é rudículo. Ridículo é a necessidade de sermos reconhecidos. Sem isso a vida não vale a pena. E a vida é mais difícil assim. Não é?
PABLO ALCANTARA 1/2/2003 12:51:41 AM


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